Dia em Bullets #01

• Um rato invadiu o apartamento. Comeu as empanadas que trouxe para os meninos, ontem a noite.
•  Andando pela Vila Madalena, ouvi um senhor dizendo para outro que alguma coisa era “para inglês ver”. Tentei acompanhar a caminhada dos dois para descobrir o que era, mas eles mudaram de assunto.
• Quando cheguei na editora, senti que algo caminhava na minha orelha: era uma joaninha, que consegui resgatar de lá com vida. Ainda percebi algo em meu pescoço, e o meu reflexo na tela do computador denunciou que era uma pétala de Primavera grudada ali. A natureza se manifestou em mim e tive sorte o dia todo.
•  Diletto sabor pistache foi a delícia do dia, e eu me refestelei.
•  Meu trabalho fluiu como eu precisava que fluisse ao som de Mutantes.

[Uma imagem boba e uma música para fechar o post]

Dia em Bullets: Vi num tumblr uma pessoa postando o dia que teve em bullets e resolvi criar essa categoria aqui no blog pra resgatar um pouco do que foi meu dia, de pequenices a acontecimentos importantes (como sorvete :9), e não deixar os detalhes que dão graça e tom a minha vida passarem batido. Então me prestarei a postar de vez em quando por aqui como foi o meu dia, sempre em bullets :)

Quase 30

“Pois é, esse sou eu. Vou fazer 30 anos… com cara de mim mesmo. Sem poder fazer nada. Eu sou eu, estupidamente eu”.

[Do filme Bonecas Russas]

Na verdade, ainda tenho 28 anos. Em menos de um mês, completo 29. Mas sinto que fazer 29 nunca será fazer 29. Ele sempre será o “quase 30″, e por isso me lembrei dessa citação no filme Bonecas Russas.

Assisti a esse filme na sequência de seu antecessor, Albergue Espanhol, nos meus 25/26 anos. Me pareceu uma frase linda. Me soava como, “ei, sou um ser humano e tenho licença para fazer burradas”. A aceitação de ser alguém errante e viver bem com isso era incrível.

Mas agora, com “quase 30″, vejo a frase de forma diferente. Vejo que é saber chegar na tampa e reconhecer que é hora de parar. É muito mais auto-conhecimento do que uma desculpa poética para poder errar.

Então digamos que hoje eu tenha jogado a toalha no chão e pedido água. Aceitei minhas limitações, e isso não quer dizer que tenha desistido do que quero. Apenas me sinto mais apta a lutar pelos meus sonhos. E sem dúvida, o que eu mais quero para o momento é evitar que uma camada de gordura encape meu cérebro.

O tal do cérebro gordo existe sim e eu morro de pavor dele.

Bon Jovi, pré adolescência e Elvis Costello

Se tem gente que diz que você é o que você come, eu parafraseio e afirmo, empiricamente: você é o que você escuta. Embarcando nessa linguagem web 2.0, que já é velha, às vezes eu penso em fazer uma nuvem de tags no formato do meu corpo, contendo tudo o que eu escuto. Óbvio que vai aparecer Belle and Sebastian numa maior proporção, junto de outras bandas que são bastante importantes na minha vida. Mas vai aparecer um Bon Jovi bem pequeninho, ali na parte posterior do meu joelho esquerdo, porque não posso negar que ouvia Jon & cia desenfreadamente na minha pré-adolescência.

Falo especificamente do Bon Jovi porque ele passou por São Paulo essa semana. Vendo o frisson que minhas amigas fizeram na timeline do meu Twitter, resolvi escolher algumas musiquinhas da banda pra ouvir e me lembrar daquela época da minha vida.

E eis que me deparo com esta.

Me lembro que foi a primeira música que me fez pensar em amor. Claro, eu era uma menina de 12 anos, assistia TV, lia Carícia, Capricho, Querida, era o primeiro contato com o lance de sofrer por amor. Eu ansiava por isso, morrer de amor me parecia a coisa mais linda do mundo. Até então, considerava Jon Bon Jovi o homem mais perfeito do mundo e essa música, esse hino meloso, a lovesong mais linda do mundo.

Como toda boa fã adolescente, garimpava material do meu ídolo nas bancas de revista pra engordar minha pastinha com fotos e matérias do Bon Jovi (aliás, na época da faculdade, eu repassei essa pastinha pra Fer Storto ou pra Fer Dante? Não me lembro…). Foi numa dessas que eu descobri a revista Showbizz (que era a antiga Bizz, que saiu de circulação e que voltou como Bizz depois de alguns anos). Não demorou muito pra revista moldar boa parte do meu gosto musical como ele é hoje. Inclusive em pouco menos de três meses, eu já estava chutando o Bon Jovi pra escanteio e colocando Foo Fighters no lugar (ah, as efemeridades adolescentes, rs).

Daí o tempo passou, parei de ler a revista e no final das contas, acabei descobrindo o que era ficar mal por causa de relacionamentos (não necessariamente por amor). Descobri também que dá pra ficar sofrendo (por mais horrível que isso possa soar) de forma mais elegante.

Aos corações partidos, eu ofereço um trago de tristeza e de conformismo elegante.

Especificamente hoje, vou evitar Elvis Costello e ouvir mais Bon Jovi. Mas só por hoje. My aim is true.

(originalmente publicado aqui)