É tudo porque meu olhar permanece fitando o horizonte, em linha reta, perdido e em busca de uma luz pra se guiar. Não quero olhar pros lados porque olhar pros lados dói. Nem pra cima e nem pra baixo, também: sempre reto, sem nem sequer piscar. Acontece muita coisa durante as piscadelas, e eu não quero perder nem uma fração de segundo pra ver a luz do farol começar a piscar à minha frente. Mal posso esperar por isso. Mesmo que ela me cegue, eu não quero perder um instante sequer. E enquanto isso, as coisas vão acontecendo à minha frente e eu vou interagindo com elas de acordo com a minha necessidade e interesse. O cotidiano, o corre-corre, o corriqueiro, o afogamento voluntário no trabalho. O silêncio alheio. As pessoas que vêm à minha direção e andam ao meu lado, a cerveja gelada no final do dia. A embriaguez de antes de dormir. E antes disso, voltar pra casa cambaleando, abraçada às companhias, cantarolando nossos sambas, compartilhando o pop sueco ou simplesmente dividindo o silêncio inteligível que chega anunciando o enterro da noitada. É o que me fortalece. É o que tem construído, dia após dia, o que tenho me tornado. Eu mudo a todo instante. Estou mudando, neste exato momento. Malas prontas, vou embora de mim em direção a eu mesma, que é o meu destino final.
“Nem que eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo”
(Djavan, só pra frisar mais uma vez: eu não gosto da sua música, mas… rs)
Outubro 18, 2007 at 6:33 pm
nada como se embriagar de si mesma!!!
ótimo texto!
beijos!