Gosto dos nossos passeios de carro.
Ficamos confinados ali dentro e a vida não me parece muito mais do que isso. Basta a gente, alguns cds, uma latinha de energético e o destino – a estrada, a cidade ao lado ou as ruas por onde você já andou.
Sei que caminhamos muito por aí, de mãos dadas ou abraçados. Nada contra. É bom quando você me espera sair da editora e vamos tomar cerveja. Depois caminhamos meio molengas até a minha casa e dormimos. Essa é a nossa história e talvez seja tão importante quanto. Mas gosto de ver as ruas por onde você já caminhou e de como cada uma delas te fazem me contar uma história diferente.
Também gosto dos nossos silêncios durante esses instantes. De quando a gente não diz nada e compartilha a trilha sonora. Ou então de quando a gente canta juntos alguma música. São momentos de apreciação e pra mim isso é tão evidente.
O caminho até a casa da sua avó, a volta imensa que você dá para satisfazer algum desejo gastronômico nosso, sua felicidade ao avistar uma praça. Você me parece tão a vontade em todos esses momentos que me faz ficar da mesma forma. Talvez por isso eu goste tanto.
