Arnold aos 30

Tinha aquele desenho bacanérrimo que passava na Nickelodeon, chamado Hey, Arnold!, que eu adorava. O Arnold era um moleque com o cabelo dividido ao meio, e que sofria diversas crises existenciais. Era uma animação fantástica, e cada personagem tinha sua complexidade.

Lembro vagamente dos detalhes de um episódio em questão, mas cujo roteiro me marcou bastante. Era mais ou menos assim: chegou um aluno novo na escola do Arnold, e ele, que era amigo de todos, foi tentar fazer amizade com esse menino novo. Mas o cara não queria nem saber. Os dias foram se passando e, apesar da insistência do Arnold, o menino continuava não querendo nem saber, até que desabafou. Disse ao Arnold que não gostava dele, simplesmente. Aí, no mesmo dia, houve alguma situação complicada, onde um dependeu do outro pra saírem ilesos da enrascada. Depois, com a situação resolvida, o Arnold questionou ao menino se agora ele havia mudado de opinião. O menino simplesmente disse que não e saiu andando.

Eu me sinto Arnold em diversas situações. Ei, me ame, eu sou legal, olha eu aqui! Infelizmente não tem a Helga Pattack pra, mesmo brava, me dar atenção e depois me amar secretamente, como no desenho. Mesmo se tivesse, nessa situação, eu me ferraria facilmente.

O que eu quero ser (e o que tenho sido) é o garoto que refutou a amizade do Arnold. Não é porque estudamos na mesma escola que seremos amigos. Não é porque você é filho da amiga da minha mãe que seremos amigos. Não é porque a nossa amizade não é mais a mesma que seremos amigas ainda.

Desentendimentos acontecem. É algo normal? Talvez seja. Você está disposto a perdoar? Analise e tenha a resposta. Se perdoou, que seja de coração, e siga em frente. Se não, infelizmente cada um vai para o seu lado.

Se você só posta fotos da baladinha #top no Instagram, você me irrita. Se você só sabe falar sobre si mesmo, você me irrita. Se você paga de pessoa bêbada, você me irrita. Se você acha que é punk rocker só pra atrair a atenção sexual alheia, você me irrita. Mas se, ainda depois de tudo isso você e eu nos acertarmos, bem vindo de volta. Volte aqui e vamos somar.

E se não soma, some. Simples assim, por um mundo com mais pessoas bem resolvidas. ;)

 

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Do que nos distancia

É que os tempos são diferentes. Não é culpa de ninguém. Também é só aprender a lidar com o fato de que não dá pra lanchar com o mesmo amiguinho em todo santo recreio. Não depois do primário, ao menos.

Veio o fim de uma era, veio gente nova, a gente se relaciona por aí porque gosta de trocar. Veio tudo novo pra cada um, e cada um teve de lidar com isso.

Apenas não dá pra ficar cobrando, dá pra entender e ao menos eu não estou brava. Não tem motivo, né?

Espero que, na sua nova vida, você se rodeie de pessoas que realmente te agreguem alguma coisa. Mas que você não perca sua essência. Que você faça o que realmente tenha algum sentido pessoal, e que não siga simplesmente a turba.

Enquanto isso, eu aprendo a levar as coisas de forma mais leve (veja bem, não é resignação). Mas que a gente não se esqueça que o velho também pode fazer parte do novo. É como exibir as cicatrizes de uma guerra passada, sabe?

Uma para a esquerda, a outra para a direita, mas não solte a mão.