Eu estou velha demais

Velha demais para não me dar ao luxo de poder postar o top 4 das minhas bandas preferidas. São as bandas que mais escutei nos últimos 10 anos (e algumas delas contam até além disso), portanto perceba: isso é muito, muito sério – tão sério que eu restringi a lista a 4 itens, e não a 5, como todo bom fã de Alta Fidelidade faz:

1- Belle and Sebastian
2- Teenage Fanclub
3- Superchunk
4- Big Star

Pronto. Agora já posso seguir mais tranquila para o futuro.

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Posto isso, me retiro.

Att,

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Kim Gordon, Karen Carpenter, minha mãe

Isso já é bastante manjado: você sabe da obsessão do Oasis por Beatles, da relação do Bob Dylan com o Woody Guthrie, que o Echo & The Bunnymen ama o The Doors e etc… Apenas pra avisar, esse é um post mais ou menos sobre isso.

Tem a relação Carpenters e Sonic Youth. Não preciso mencionar do amor que a Kim Gordon nutre por Carpenters. Além da versão que o Sonic Youth fez para a música Superstar, tem também a música Tunic (Song For Karen), e a carta aberta que a Kim fez para a vocalista, já falecida, Karen Carpenter.

Recentemente, li a biografia da Kim Gordon, A Garota da Banda. Eu nunca pensei que uma biografia me afetaria tanto. A relação com Kurt Cobain, a maternidade, o fardo que é quando você escolhe assumir que é o que bem entende ser e ponto. Ontem finalizei a leitura, com lágrimas nos olhos.

Eu já estive na grade de um show do Sonic Youth, em 2009. Chovia, Kim estava com um vestido prateado maravilhoso, e girava no palco. É uma lembrança que guardarei para sempre.

Minha mãe não imagina quem é Kim Gordon. Kim Gordon não imagina quem é minha mãe. Mas: as duas têm a mesma idade e amam a mesma banda. Sim, ela também gosta de Carpenters.

Jamais minha mãe subiria ao palco para tocar noise. E eu também duvido que Kim Gordon dominaria algo sobre tabela periódica. Ambas me afetam,  cada uma à sua maneira.

E eu, invariavelmente, fico fascinada por esse tipo de relação: duas mulheres que têm tanto e nada em comum, e que me afetam de forma absurda.

Pura falta de assunto…

…mas eu conheci o Mac McCaughan, do Superchunk, que é um dos compositores que mais amo. Como boa tiete do indie rock, eu já estive com o Bob Mould, com o Lou Barlow, com o Greg Dulli e com o Lee Ranaldo, entre outros, e eu nem fiquei nervosa. Mas, como é visível na foto abaixo, meu sorriso entrega a minha cara de passada. MEODEOSÉOMAC!!!

Ralph, eu tô tremeno!!!

Ralph, eu tô tremeno!!!

Pronto, roubei o setlist no show na Casa do Mancha e abril me deixou bem feliz! :D

You are the cosmos

p03276i592sChris Bell,

Estou aqui barganhando com os meus fones de ouvido. O player executa I Am The Cosmos desde as 11 horas da manhã. Pausei, saí pra almoçar, voltei e dei play novamente. Já são 19h05.

Tentei mudar para The Dead Milkmen, Ex Hex e até mesmo para Big Star, sua antiga banda, que é uma das minhas preferidas. Cheguei a selecionar na biblioteca esses nomes. Mas o problema é apertar o play pra elas e abandonar você tocando.

É como se você falecesse novamente. Eu não era nem nascida quando você faleceu, mas parece que se eu parar de tocar esse álbum, você vai morrer de novo.

Por isso, eu quero que você partilhe essa dor toda comigo, que você fique bem vivo aqui, nos meus ouvidos. No meu coração. No meu humor aquoso. No meu cosmos.

Obrigada.

Lovesongs dedicated to wrong lovers

33ad399523994e3155b11971fe634188Gosto de falar que sou ‘amasiada’. Minha mãe diz que essa palavra é feia, mas a verdade é que eu digo isso apenas pra irritá-la. No geral, acho que o verbo “amasiar” é bem engraçado. Sobre o meu marido (falar “namorido” sim, é bem feio): ele supera qualquer ex que eu tenha tido, em tudo. Política, cerveja, inteligência, desprendimento e, claro, música – e estou ciente de que sou o ser mais suspeito do mundo pra afirmar tudo isso. Por isso e por motivos que só eu sei, ele é o merecedor de todas as lovesongs que já me fizeram suspirar. É como se elas se canalizassem e recaíssem sobre ele. Pro Fernando eu sou capaz de dedicar “Thirteen”, do Big Star, coisa que eu jamais fiz por medo de estragar a música. Com ele, contudo, eu não tenho medo de nada. Então acho que, se você se sente 100% confortável com uma pessoa, isso quer dizer sim alguma coisa. Por isso ele pode saber que, ao ouvir essa música que me é tão sagrada, estarei pensando provavelmente nele.

Hoje dei play em Raveonettes e ouvi “The Heavens”. Pensei que essa música já me fez suspirar por alguém (tão, tão errado pra mim – e não me venha com esse papo de que músicas não fazem você se lembrar disso. Tudo o que for dito do contrário é hipocrisia). Daí lembrei do que já fiz por aí: já disse sim pra pedido de namoro pensando em outra pessoa. Já namorei por um mês apenas. Já cultivei amores platônicos, tão lindos só na minha cabeça. Já lutei por alguém sabendo que iria me estrepar no fim. Já namorei sabendo que não tinha nada a ver com a pessoa, e que não daria certo. Enfim, quem nunca? Acho que isso tudo foi muito importante pro meu processo de auto-amor. Agora estou aqui, e não tenho problema algum em expor determinados fatos da minha vida e muito menos de me colocar em primeiro lugar. Estou aqui.

Acontece que tudo isso sempre aconteceu com muita trilha sonora. E no meio disso tudo, lembrei de algumas músicas que já dediquei pra pessoas erradas. Deu numa lista de canções que praticamente já me fizeram acreditar que eu não sobreviveria até aqui. Mas que grande bobagem, não? Só de birra acho que permaneci vivinha da silva.

Decidi então escrever sobre essas músicas, sobre o que vivi ao som delas e como tudo foi superado e desassociado. Espero que, se alguém ler, descubra que, na maioria das vezes, música é tudo o que vai te sobrar, e que muitas delas são sim mais importantes do que a maioria de pessoas com quem você vai se envolver. O que importa é você e a sua trilha sonora.

Seria uma lista enorme e chata, se fosse falar de todas elas. Por isso, destaco apenas as cinco principais (top five! top five! aaaahhhh!!!), cujas histórias eu gostaria de compartilhar. São elas:

I Guess That’s Why They Call It The Blues (Elton John) – ouça!
Quando lembro dos motivos pelos quais me fazem colocar essa música nesta lista, sou diretamente levada para uma tarde incrivelmente quente de inverno. Também sou levada para uma sensação de vergonha extrema. Sim, foi um momento em que me senti extremamente babaca, extremamente amadora. As coisas estavam mudando na minha vida, e tardiamente ou não eu estava finalmente aprendendo como lidar com essas situações. A pessoa em questão é um amigo querido meu, para quem até hoje penso em falar “que babaquice tudo aquilo, não? Me desculpe por ter sido tão babaca”. Mas até então, tinha essa canção tão linda. Que foi desassociada, para o bem de todos e para o final de uma Maria Renata melodramática em demasia. Próxima.

The Heavens (Raveonettes) – ouça!
E no meio desses períodos de sair com mais de um cara (que acho extremamente saudável e só lamento se você julga), eu me apaixonei platonicamente pela última vez. Não darei datas, mas direi que foi a última tentativa de uma paixão platônica. Eu estava completamente consciente disso, e decidi investir pela última vez. Não falei pra ninguém que estava tão apaixonada, apenas que tinha mais um P.A. e que desse modo estava bom. A sensação de paixão platônica estava toda ali, tão bem desenhada por The Heavens. O cara se levantou, se vestiu e foi embora. Não me prometeu nada, eu não acreditei em nada, mas dentro de mim, uma sensação enorme queria mais. Daí eu suspirava forte e me jogava de bruços na cama. Tudo o que queria era um impacto que pudesse doer um pouquinho só, e a cama estava lá pra isso. Não doía tanto quanto eu suicidamente queria porque o colchão era de mola, mas fazia isso porque queria sentir algo real e assumir pra mim mesma que não ia dar certo. Enfim passou. Maria melodrama foi enterrada em definitivo.

Sidewinder (Teenage Fanclub) – ouça!
O refrão dessa música define o relacionamento em questão. Típico caso do cancioneiro sertanejo que diz que “fiz tudo por ele”. Não tinha como dar certo, não tinha. Mas eu quis ver pra crer, quis ir até o fundo e acredite: eu consegui ir além do limite. Fiz feio e depois disso não me rebaixei pra mais ninguém, lesson learned. No geral, todo mundo sabe que Teenage Fanclub é uma das minhas bandas preferidas, e eu que não vou desperdiçar música deles com quem não merece. Então ao invés de me colocar na fossa, hoje escuto Sidewinder e tenho vontade de sair pulando de felicidade. Provavelmente por mim mesma.

Green Eyes (Nick Cave) – ouça!
Falar de qualquer música do Boatman’s Call é golpe baixo. Não supero nunca o fato do Nick Cave e da PJ Harvey um dia terem sido um casal, muito menos o fato de ele ter escrito esse álbum para ela. Como foi possível um casal como esse ter caminhado sobre a terra, eu não sei afirmar. Já amarrei fogo e fossa escutando esse som, e a cada vez que Nick Cave implorava “green eyes, oh green eyes”, teoricamente eu entendia a dor dele. A gente nunca sabe, mas eu pensava que entendia, e de fato hoje eu não sei se entendi ainda. De todo modo, ela serviu para eu entender a minha. E descobrir que eu não sou feita para fossas demoradas. Por isso, aceitei e toquei o meu barquinho. Mas essa música é uma declaração linda e desesperada, e eu gosto tanto de Nick Cave que passei a usar meus anéis nos mesmos dedos nos quais ele usa os dele. Deixar num patamar de fossa um artista que me inspira tanto não é certo, nesse meu mundinho.

The Boy With The Arab Strap (Belle and Sebastian) – ouça!
Essa é uma história engraçada. Aconteceu que, em determinado momento da minha vida, eu me interessava por alguns caras e no fim descobria que eles eram sempre gays. Daí eu conheci esse cara, e ele era tão refinado, tão bem vestido, tão bonito, que toda vez que ele passava por mim, eu suspirava. Daí ele me adicionou no Messenger, e eu achei que teria uma oportunidade pra criar assunto. Meu status no chat denunciava que eu estava ouvindo Belle and Sebastian, e ele veio puxar assunto: “poxa, hoje eu estava cozinhando ao som de Belle and Sebastian”, e no momento eu quase acreditei que ele era o homem da minha vida, que me faria jantares ao som de The Boy With The Arab Strap acompanhado de muito vinho branco. Daí na semana seguinte eu o vi de longe. Acenei com a mão, e ele ficou me jogando beijinhos no ar. Na hora meu sorriso congelou e amarelou. Enfim, depois disso comecei a ir pra balada com ele, e disputar os mesmos caras. É claro que ele pegou muito mais meninos do que eu.