This is just a modern rock song

Saudações, 2014. Ainda estou aqui. É a madrugada de sábado para domingo e tenho o quarto apenas para mim. Então estou aqui, ouvindo as minhas músicas sozinha, entrando em contato comigo mesma. Quero me sentir eu mesma. Não que eu não seja o tempo todo, mas desta vez é apenas para garantir. E que forma melhor de fazer isso ouvindo Belle & Sebastian, a.k.a. minha banda favorita?

Emma tried to run away,
I followed her across the city,
She went out to the Easterhouse,
Because she liked the sound of it.
She didn't have a single penny,
She stuck a finger in the air,
She tried to flag down an aeroplane,
I suppose she needs a holiday.
I put my arm around her waist,
She put me on the ground with Judo,
She didn't recognise my face,
She wasn't even looking.

Daqui a pouco chego aos 31 anos com a mesma cara de pau que cheguei aos 30, como quem abre uma porta, adentra uma sala, acha aconchegante, se senta e fica por ali vendo como é que é. E o fato é que eu gostei de abrir essa porta. Eu não mudei tanto desde os meus 20 e poucos (ok, eu mudei bastante, mas me parece que não, entende?). Eu gostei de chegar a essa fase, parece que nasci pra ser balzaquiana. Por incrível que pareça eu não tive crise dos 30 (e a crise que eu pensei ter era pura frescura).

Laura's feeling just ideal,
Her horoscope was nearly perfect,
She's thinking of something to do,
Because she is The Birthday Girl.

She walked out to the edge of town,
She saw me lying in the park,
She took Emma by the hand,
They've got a lot in common.

Percebi que eu só estava carregando essa pseudo-crise porque queria. Daí veio tanta coisa… ter que procurar apartamento novo, meio que perder o apoio com o qual eu sempre contei… e no final das contas, eu não precisei sair do meu apartamento, pouco tempo depois disso passei a ter um quase-casamento e as coisas ficaram quentinhas e confortáveis. Descobri que não tem quase e que é sempre preferível tocar a vida com leveza. Eu estava arrumando chifre em cabeça de cavalo. Não precisa, né? E sobre os apoios, a gente vai se adaptando. As pessoas mudam, não é errado. E você muda também. Normal.

I'll leave them to do what they want,
I'll leave them to do what they need to,
I'll go and play with words and pictures,
I'll admit I'm feeling strange.
I'm not as sad as Dostoievsky,
I'm not as clever as Mark Twain,
I'll only buy a book for the way it looks,
And then I stick it on the shelf again.

Now I could tell you what I'm thinking,
But it never seems to do you good,
It's beyond me what a girl can see,
I'm only lucid when I'm writing songs.

Mas é legal poder enxergar através dos anos. Tenho tentado melhorar, eu juro.

This is just a modern rock song,
This is just a sorry lament,
We're four boys in corduroys,
We're not terrific but we're competent.

E enfim, vamos parando por aqui, com o que e quem temos ao redor. Suficientemente bem, beijos meus.

Stevie's full of good intentions,
Richards into rock 'n' roll,
Stuart's staying in and he thinks it's a sin,
That he has to leave the house at all.
This is just a modern rock song,
This is just a tender affair,
I count "three, four" and then we start to slow,
Because a song has got to stop somewhere.
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Para o querido A.,

(que pensa que eu não sei de nada)

No seu decifra-me ou te devoro, já te engoli faz algum tempo.

Quero te contar tanta coisa, mas felizmente teu fardo não me compete. E que você nunca carregue o meu, nem o de ninguém que não seja da sua alçada.

Vou compartilhar com você, A., que eu não quero gritar mais alto que ninguém. Não preciso (desse modo eu também economizo benalets). E não, não são indiretas. Só quero te contar isso. Buscar a própria paz de espírito já é algo.

Olha, eu te desejo um feliz 2013 (acho que dessa vez não nos veremos)! E que essa fase nova da sua vida seja plena. Espero que você se torne mais leve (e que essa relação não seja um pleonasmo).

A vida é curta e eu não quero te dar conselho algum. Nosso sangue é ralo e eu não me importo nem um pouco com isso. Então vamos sair do computador (esse forte apache dos covardes), sentar e rir, que talvez a gente saia ganhando. Juntos, a gente sempre riu como ninguém. E disso eu não pretendo me esquecer!

Paz, meu querido!

Para a moça M.,

(que jamais saberá destas mal digitadas)

Os seus sentimentos são estranhos e se manifestam no seu gato e no seu cotidiano anacrônico.
Eu não tenho um gato, mas tenho um cotidiano ingrato (e sou expert em trocadalhos, veja só).
Eu também tenho (muito) sono e meu cabelo é escorrido, mas quero te dizer que apesar dessa intriguinha, lá no fundo, nós somos marromeno a mesma coisa.

Com amor (ou não),

– Maria R.