Quase 30

“Pois é, esse sou eu. Vou fazer 30 anos… com cara de mim mesmo. Sem poder fazer nada. Eu sou eu, estupidamente eu”.

[Do filme Bonecas Russas]

Na verdade, ainda tenho 28 anos. Em menos de um mês, completo 29. Mas sinto que fazer 29 nunca será fazer 29. Ele sempre será o “quase 30”, e por isso me lembrei dessa citação no filme Bonecas Russas.

Assisti a esse filme na sequência de seu antecessor, Albergue Espanhol, nos meus 25/26 anos. Me pareceu uma frase linda. Me soava como, “ei, sou um ser humano e tenho licença para fazer burradas”. A aceitação de ser alguém errante e viver bem com isso era incrível.

Mas agora, com “quase 30”, vejo a frase de forma diferente. Vejo que é saber chegar na tampa e reconhecer que é hora de parar. É muito mais auto-conhecimento do que uma desculpa poética para poder errar.

Então digamos que hoje eu tenha jogado a toalha no chão e pedido água. Aceitei minhas limitações, e isso não quer dizer que tenha desistido do que quero. Apenas me sinto mais apta a lutar pelos meus sonhos. E sem dúvida, o que eu mais quero para o momento é evitar que uma camada de gordura encape meu cérebro.

O tal do cérebro gordo existe sim e eu morro de pavor dele.

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