Seguindo o coelho branco

Desde sexta retrasada, abriram uma cortina cor de rosa ao redor do meu mundo. O que no momento era considerado ruim, ficou tão pequeno que deixou de ter importância. Desde então, o céu é sempre azul e o chão é um gramado verde e extenso, onde encontro-me deitada observando a vida.

De repente, uma revoada de corvos passa, puxando um misterioso homem de negro como se fosse um pequeno príncipe sinistro. Adiante, na colina, um monstro com chapéu de festa corre, repetindo seu nome a todo instante. Duendes escondem doces em uma árvore, onde uma menina brinca num balanço ali pendurado, sempre assistida por seu ursinho de pelúcia. E sou supreendida por um gato preto e branco, de nariz vermelho, que senta ao meu lado e me pergunta como foi meu dia.

Olho para a direta. Um homem coelho, branco e com óculos quase iguais aos meus, está deitado ao meu lado, observando um pinguim que voa no céu.

Suspiro feliz e dobro os braços atrás da cabeça. Me estico. Não posso me queixar de mais nada: a vida é doce, sim senhor.

(A contra-capa do meu livro “Ooops”, com desenho e autógrafo do cartunista argentino Ricardo Liniers, o homem coelho do texto. E é claro que não resisti e fiz uma foto com ele, depois do show dele com o Kevin Johansen ;D Não poderia estar mais feliz com este encontro!)

Anúncios