Minha primeira graphic novel

Foi Maus, de Art Spiegelman, que me introduziu aos 14 anos ao mundo das graphic novels. Descobri o livro xeretando a estante de meu primo Adriano. Lembro-me de abrir o livro e descobrir que ele ganhou de presente, já que tinha uma dedicatória de seu amigo Gabriel, dizendo que, talvez como prisioneiros de uma guerra diária, não se vissem mais com tanta frequência. E eu, que ainda não entendia nada sobre guerras diárias, era fascinada pela temática da Segunda Guerra na época e comecei a ler o primeiro volume ali mesmo, na casa dele. Deu que não desgrudei durante o dia todo, e levei o primeiro e o segundo volume emprestados.

Ano retrasado estava passeando pela livraria quando vi a versão completa, num livro só, a venda. E, pelo fato de ser uma obra emblemática na minha vida, resolvi comprá-la, mesmo que para ficar na estante. E ali ela ficou, pegando pó, até que, mês passado, resolvi finalmente reler. E preciso dizer que foi novamente uma experiência incrível revisitar Maus, 14 anos depois.

Gosto do fato de poder entender que o traço de Spiegelman, em diversos momentos nesta obra, se refere a propaganda nazista, e continuo achando fascinante o fato de diferentes raças serem representadas por animais. E hoje, também, enxergo a tal da guerra diária, que Gabriel menciona na dedicatória ao meu primo, impressa na trajetória de Vladek.

E semana passada, passeando pela mesma livraria, me deparei com MetaMaus, um “livro sobre o livro”, que fala não só dos porquês de Spiegelman ter escolhido caracterizar os judeus como ratos e alemães como gatos, como também traz um DVD com a história toda digitalizada e hiperlinkada com sketches, trechos em áudio do depoimento de Vladek e fatos históricos.

Em breve estará na minha estante, simplesmente porque Maus, além de ser um relato riquíssimo sobre a sobrevivência a Segunda Guerra, sempre será um livro querido e importante na minha vida por ter me aberto as portas ao mundo das graphic novels.

 

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