Lovesongs dedicated to wrong lovers

33ad399523994e3155b11971fe634188Gosto de falar que sou ‘amasiada’. Minha mãe diz que essa palavra é feia, mas a verdade é que eu digo isso apenas pra irritá-la. No geral, acho que o verbo “amasiar” é bem engraçado. Sobre o meu marido (falar “namorido” sim, é bem feio): ele supera qualquer ex que eu tenha tido, em tudo. Política, cerveja, inteligência, desprendimento e, claro, música – e estou ciente de que sou o ser mais suspeito do mundo pra afirmar tudo isso. Por isso e por motivos que só eu sei, ele é o merecedor de todas as lovesongs que já me fizeram suspirar. É como se elas se canalizassem e recaíssem sobre ele. Pro Fernando eu sou capaz de dedicar “Thirteen”, do Big Star, coisa que eu jamais fiz por medo de estragar a música. Com ele, contudo, eu não tenho medo de nada. Então acho que, se você se sente 100% confortável com uma pessoa, isso quer dizer sim alguma coisa. Por isso ele pode saber que, ao ouvir essa música que me é tão sagrada, estarei pensando provavelmente nele.

Hoje dei play em Raveonettes e ouvi “The Heavens”. Pensei que essa música já me fez suspirar por alguém (tão, tão errado pra mim – e não me venha com esse papo de que músicas não fazem você se lembrar disso. Tudo o que for dito do contrário é hipocrisia). Daí lembrei do que já fiz por aí: já disse sim pra pedido de namoro pensando em outra pessoa. Já namorei por um mês apenas. Já cultivei amores platônicos, tão lindos só na minha cabeça. Já lutei por alguém sabendo que iria me estrepar no fim. Já namorei sabendo que não tinha nada a ver com a pessoa, e que não daria certo. Enfim, quem nunca? Acho que isso tudo foi muito importante pro meu processo de auto-amor. Agora estou aqui, e não tenho problema algum em expor determinados fatos da minha vida e muito menos de me colocar em primeiro lugar. Estou aqui.

Acontece que tudo isso sempre aconteceu com muita trilha sonora. E no meio disso tudo, lembrei de algumas músicas que já dediquei pra pessoas erradas. Deu numa lista de canções que praticamente já me fizeram acreditar que eu não sobreviveria até aqui. Mas que grande bobagem, não? Só de birra acho que permaneci vivinha da silva.

Decidi então escrever sobre essas músicas, sobre o que vivi ao som delas e como tudo foi superado e desassociado. Espero que, se alguém ler, descubra que, na maioria das vezes, música é tudo o que vai te sobrar, e que muitas delas são sim mais importantes do que a maioria de pessoas com quem você vai se envolver. O que importa é você e a sua trilha sonora.

Seria uma lista enorme e chata, se fosse falar de todas elas. Por isso, destaco apenas as cinco principais (top five! top five! aaaahhhh!!!), cujas histórias eu gostaria de compartilhar. São elas:

I Guess That’s Why They Call It The Blues (Elton John) – ouça!
Quando lembro dos motivos pelos quais me fazem colocar essa música nesta lista, sou diretamente levada para uma tarde incrivelmente quente de inverno. Também sou levada para uma sensação de vergonha extrema. Sim, foi um momento em que me senti extremamente babaca, extremamente amadora. As coisas estavam mudando na minha vida, e tardiamente ou não eu estava finalmente aprendendo como lidar com essas situações. A pessoa em questão é um amigo querido meu, para quem até hoje penso em falar “que babaquice tudo aquilo, não? Me desculpe por ter sido tão babaca”. Mas até então, tinha essa canção tão linda. Que foi desassociada, para o bem de todos e para o final de uma Maria Renata melodramática em demasia. Próxima.

The Heavens (Raveonettes) – ouça!
E no meio desses períodos de sair com mais de um cara (que acho extremamente saudável e só lamento se você julga), eu me apaixonei platonicamente pela última vez. Não darei datas, mas direi que foi a última tentativa de uma paixão platônica. Eu estava completamente consciente disso, e decidi investir pela última vez. Não falei pra ninguém que estava tão apaixonada, apenas que tinha mais um P.A. e que desse modo estava bom. A sensação de paixão platônica estava toda ali, tão bem desenhada por The Heavens. O cara se levantou, se vestiu e foi embora. Não me prometeu nada, eu não acreditei em nada, mas dentro de mim, uma sensação enorme queria mais. Daí eu suspirava forte e me jogava de bruços na cama. Tudo o que queria era um impacto que pudesse doer um pouquinho só, e a cama estava lá pra isso. Não doía tanto quanto eu suicidamente queria porque o colchão era de mola, mas fazia isso porque queria sentir algo real e assumir pra mim mesma que não ia dar certo. Enfim passou. Maria melodrama foi enterrada em definitivo.

Sidewinder (Teenage Fanclub) – ouça!
O refrão dessa música define o relacionamento em questão. Típico caso do cancioneiro sertanejo que diz que “fiz tudo por ele”. Não tinha como dar certo, não tinha. Mas eu quis ver pra crer, quis ir até o fundo e acredite: eu consegui ir além do limite. Fiz feio e depois disso não me rebaixei pra mais ninguém, lesson learned. No geral, todo mundo sabe que Teenage Fanclub é uma das minhas bandas preferidas, e eu que não vou desperdiçar música deles com quem não merece. Então ao invés de me colocar na fossa, hoje escuto Sidewinder e tenho vontade de sair pulando de felicidade. Provavelmente por mim mesma.

Green Eyes (Nick Cave) – ouça!
Falar de qualquer música do Boatman’s Call é golpe baixo. Não supero nunca o fato do Nick Cave e da PJ Harvey um dia terem sido um casal, muito menos o fato de ele ter escrito esse álbum para ela. Como foi possível um casal como esse ter caminhado sobre a terra, eu não sei afirmar. Já amarrei fogo e fossa escutando esse som, e a cada vez que Nick Cave implorava “green eyes, oh green eyes”, teoricamente eu entendia a dor dele. A gente nunca sabe, mas eu pensava que entendia, e de fato hoje eu não sei se entendi ainda. De todo modo, ela serviu para eu entender a minha. E descobrir que eu não sou feita para fossas demoradas. Por isso, aceitei e toquei o meu barquinho. Mas essa música é uma declaração linda e desesperada, e eu gosto tanto de Nick Cave que passei a usar meus anéis nos mesmos dedos nos quais ele usa os dele. Deixar num patamar de fossa um artista que me inspira tanto não é certo, nesse meu mundinho.

The Boy With The Arab Strap (Belle and Sebastian) – ouça!
Essa é uma história engraçada. Aconteceu que, em determinado momento da minha vida, eu me interessava por alguns caras e no fim descobria que eles eram sempre gays. Daí eu conheci esse cara, e ele era tão refinado, tão bem vestido, tão bonito, que toda vez que ele passava por mim, eu suspirava. Daí ele me adicionou no Messenger, e eu achei que teria uma oportunidade pra criar assunto. Meu status no chat denunciava que eu estava ouvindo Belle and Sebastian, e ele veio puxar assunto: “poxa, hoje eu estava cozinhando ao som de Belle and Sebastian”, e no momento eu quase acreditei que ele era o homem da minha vida, que me faria jantares ao som de The Boy With The Arab Strap acompanhado de muito vinho branco. Daí na semana seguinte eu o vi de longe. Acenei com a mão, e ele ficou me jogando beijinhos no ar. Na hora meu sorriso congelou e amarelou. Enfim, depois disso comecei a ir pra balada com ele, e disputar os mesmos caras. É claro que ele pegou muito mais meninos do que eu.

Anúncios

Arnold aos 30

Tinha aquele desenho bacanérrimo que passava na Nickelodeon, chamado Hey, Arnold!, que eu adorava. O Arnold era um moleque com o cabelo dividido ao meio, e que sofria diversas crises existenciais. Era uma animação fantástica, e cada personagem tinha sua complexidade.

Lembro vagamente dos detalhes de um episódio em questão, mas cujo roteiro me marcou bastante. Era mais ou menos assim: chegou um aluno novo na escola do Arnold, e ele, que era amigo de todos, foi tentar fazer amizade com esse menino novo. Mas o cara não queria nem saber. Os dias foram se passando e, apesar da insistência do Arnold, o menino continuava não querendo nem saber, até que desabafou. Disse ao Arnold que não gostava dele, simplesmente. Aí, no mesmo dia, houve alguma situação complicada, onde um dependeu do outro pra saírem ilesos da enrascada. Depois, com a situação resolvida, o Arnold questionou ao menino se agora ele havia mudado de opinião. O menino simplesmente disse que não e saiu andando.

Eu me sinto Arnold em diversas situações. Ei, me ame, eu sou legal, olha eu aqui! Infelizmente não tem a Helga Pattack pra, mesmo brava, me dar atenção e depois me amar secretamente, como no desenho. Mesmo se tivesse, nessa situação, eu me ferraria facilmente.

O que eu quero ser (e o que tenho sido) é o garoto que refutou a amizade do Arnold. Não é porque estudamos na mesma escola que seremos amigos. Não é porque você é filho da amiga da minha mãe que seremos amigos. Não é porque a nossa amizade não é mais a mesma que seremos amigas ainda.

Desentendimentos acontecem. É algo normal? Talvez seja. Você está disposto a perdoar? Analise e tenha a resposta. Se perdoou, que seja de coração, e siga em frente. Se não, infelizmente cada um vai para o seu lado.

Se você só posta fotos da baladinha #top no Instagram, você me irrita. Se você só sabe falar sobre si mesmo, você me irrita. Se você paga de pessoa bêbada, você me irrita. Se você acha que é punk rocker só pra atrair a atenção sexual alheia, você me irrita. Mas se, ainda depois de tudo isso você e eu nos acertarmos, bem vindo de volta. Volte aqui e vamos somar.

E se não soma, some. Simples assim, por um mundo com mais pessoas bem resolvidas. ;)

 

Do que nos distancia

É que os tempos são diferentes. Não é culpa de ninguém. Também é só aprender a lidar com o fato de que não dá pra lanchar com o mesmo amiguinho em todo santo recreio. Não depois do primário, ao menos.

Veio o fim de uma era, veio gente nova, a gente se relaciona por aí porque gosta de trocar. Veio tudo novo pra cada um, e cada um teve de lidar com isso.

Apenas não dá pra ficar cobrando, dá pra entender e ao menos eu não estou brava. Não tem motivo, né?

Espero que, na sua nova vida, você se rodeie de pessoas que realmente te agreguem alguma coisa. Mas que você não perca sua essência. Que você faça o que realmente tenha algum sentido pessoal, e que não siga simplesmente a turba.

Enquanto isso, eu aprendo a levar as coisas de forma mais leve (veja bem, não é resignação). Mas que a gente não se esqueça que o velho também pode fazer parte do novo. É como exibir as cicatrizes de uma guerra passada, sabe?

Uma para a esquerda, a outra para a direita, mas não solte a mão.

Lioness

Fêmea-alfa que quer gritar mais alto por um leão no qual você não está interessado.
Fêmea-alfa que quer gritar mais alto do que você na sua savana.
Fêmea-alfa que quer gritar mais alto.
Fêmea-alfa que quer gritar.

Haja.